quarta-feira, 13 de julho de 2011

Jovens consomem álcool cada vez mais cedo

Jovens de até 12 anos já se veem envolvidos com o vício

O consumo de bebidas alcoólicas entre jovens a partir de 12 anos aumentou, segundo o último levantamento domiciliar sobre o uso de drogas psicotrópicas no Brasil realizado pelo Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (Cebrid) da Universidade Federal de S. Paulo (Unifesp) (2005). 74,6% dos brasileiros já fizeram uso de álcool alguma vez na vida.

Os dados apresentados, comparados aos do levantamento realizado em 2001, mostram que houve aumento nos casos de dependência de álcool entre pessoas de 12 a 65 anos. Em 2001, o índice foi de 11,2%; em 2005, 12,3%. O índice é maior que a média mundial, que é de 2,5%.

O alcoolismo nunca foi problema exclusivo dos adultos. Mas o aumento do consumo leva a perguntar por que os jovens estão se envolvendo com o álcool cada vez mais cedo.

Além de fatores familiares e genéticos (algumas pessoas podem ser mais propensas ao alcoolismo), comportamentos de grupo, a “pressão” de amigos, o medo da exclusão, o baixo custo da bebida, a falta de controle na oferta e no consumo, além da ausência de limites sociais, colaboram para que o primeiro contato com a bebida ocorra mais cedo.

Segundo o psicólogo do Instituto Bairral de Psiquiatria de Itapira – SP e mestre em educação pela Universidade Metodista de Piracicaba, José Antônio Zago, a adolescência é um período de risco ao ingresso ao uso de drogas. “Além do desejo de querer experimentar o ‘novo’, buscar novos desafios, os jovens sentem a necessidade de buscar ‘respostas’ ao seu viver”, explica.

O consumo de bebida alcoólica é aceito e até estimulado pela sociedade. Muitos pais se desesperam ao descobrir que o filho usa algum tipo de droga ilícita, mas não se chocam com o fato de ele conviver com a bebida. “Jovens ou crianças inseguras que vivem em ambiente de alta vulnerabilidade social tendem a ingressar mais precocemente no mundo das drogas, incluindo a bebida alcoólica. Devemos tratar os jovens como cidadãos que estão em formação e que precisam ser protegidos para que atinjam a idade adulta de forma inteira e íntegra”, adverte o psicólogo. “Se proíbem a propaganda de cigarros, por que não proíbem a de bebidas também?”, indaga.

Perigos associados

O álcool, em qualquer quantidade, é uma substância tóxica, e os seus efeitos são potencializados em metabolismos de pessoas jovens. Além dos malefícios à saúde, os jovens são justamente os mais suscetíveis aos riscos que costumam se associar ao consumo de álcool, como de acidentes no trânsito e a falta de prevenções de um modo geral.

A estudante paulistana, Aline Ferreira, 21 anos, sentiu-se receosa depois de ter mantido relação sexual sem preservativo, segundo ela por estar embriagada. “Eu estava muito alterada e nem lembro direito o que aconteceu. No dia seguinte fiquei desesperada, pois sabia que tinha transado sem preservativo e que poderia correr algum risco. Felizmente, nada me aconteceu”, conta a estudante.

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